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O que realmente se preserva ao longo do tempo

  • 1 de fev.
  • 2 min de leitura

Há cerca de vinte anos comprei um terreno. Paguei 127 mil reais. Hoje, esse mesmo imóvel vale em torno de um milhão e meio. Quando transformo esse intervalo em tempo e faço a conta com calma, o resultado é simples: algo próximo de 1% ao mês ao longo de duas décadas.


Esse dado me fez pensar menos sobre rentabilidade e mais sobre preservação.


O imóvel — sobretudo a terra — atravessou mudanças de governo, ciclos econômicos, planos monetários, discursos políticos e ferramentas macroeconômicas. Ele não reagiu a nada disso. Apenas permaneceu. Não porque “rendeu”, mas porque se blindou das instabilidades do sistema.


Quando olhamos para juros elevados, como taxas de 15% ao ano, normalmente se fala em oportunidade. Mas talvez a leitura correta seja outra: esses juros existem porque o poder de compra do dinheiro é estruturalmente instável. O sistema precisa pagar para que o capital fique parado, para que não vire consumo, pressão inflacionária e exposição das próprias fragilidades produtivas.


O imóvel, nesse contexto, não venceu o sistema — ele simplesmente não jogou o mesmo jogo.


Mas há um ponto ainda mais profundo nessa observação. Mesmo o imóvel é forma. Ele também pertence ao tempo. Ele é estático.


Ao longo desses anos, ficou claro para mim que o verdadeiro investimento não é aquilo que se valoriza externamente, mas aquilo que se transforma internamente.


Tudo o que é forma passa:


  • bens,

  • relações,

  • papéis sociais,

  • identidades.


O que permanece é o estado de consciência com o qual atravessamos essas mudanças.


A vida não é a casa. Não é a família. Não é o patrimônio — ainda que tudo isso seja importante como parte do aprendizado.


A vida é o estado em que estamos enquanto tudo isso acontece.


Por isso, talvez o investimento mais seguro não seja o que rende mais, mas o que não pode ser confiscado, corroído ou inflacionado: a consciência. Ela não é estática, ela se expande. E quanto mais se expande, menos dependente fica das formas para sustentar sentido.


No fim, tudo é pedagógico.O resto é transitório.


Paulo Polli

Vinte anos acompanhando decisões patrimoniais.

CRECI PR 19555

CRECI SC 41607

PERITO AVALIADOR 45083

 
 
 

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