top of page

Por que algumas casas valorizam 30% sem que nada mude no condomínio?

16 de jun.
2 min de leitura

Quando uma casa valoriza 20%, 30% ou até 50% em alguns anos, a explicação mais comum costuma ser a mesma: o condomínio melhorou, a região cresceu ou a demanda aumentou.


Tudo isso pode ser verdade. Mas existe uma variável muito mais importante que raramente entra na conversa.


O dinheiro.


Imagine que existam dez casas à venda em um condomínio.


Se apenas vinte pessoas tiverem condições de comprá-las, os preços tendem a permanecer estáveis. Mas se, de repente, cem pessoas passarem a ter acesso a crédito, financiamento ou recursos para investir, aquelas mesmas dez casas passam a ser disputadas por muito mais compradores.


O imóvel não mudou.


A quantidade de dinheiro disponível para comprá-lo mudou.


É exatamente isso que economistas e investidores observam quando acompanham indicadores de liquidez da economia.


Uma das medidas mais utilizadas para isso é o chamado M2.


De forma simples, o M2 mede quanto dinheiro está disponível no sistema financeiro para consumo, investimento e crédito. Ele inclui dinheiro em contas bancárias, poupança e aplicações de alta liquidez.


Pode parecer um indicador distante da realidade de quem compra imóveis, mas sua influência é enorme.


Quando o M2 cresce, normalmente acontece uma combinação de fatores:


  • Mais dinheiro circulando na economia.

  • Mais crédito disponível.

  • Maior facilidade para financiar.

  • Mais investidores buscando proteção contra inflação.

  • Mais recursos procurando ativos reais.


E entre os ativos reais mais procurados está o imóvel.


Por isso, muitos ciclos de valorização imobiliária não começam dentro dos condomínios ou dos bairros. Eles começam no sistema financeiro.


Foi exatamente isso que ocorreu em diversos países após a pandemia. Trilhões de dólares foram injetados na economia global. Parte desse dinheiro encontrou caminho para bolsas de valores, parte para criptomoedas e parte para o mercado imobiliário.


O resultado foi uma valorização significativa de ativos ao redor do mundo.


Quando observamos mercados de alto padrão, esse efeito costuma ser ainda mais perceptível.


Famílias com maior capacidade financeira e investidores patrimoniais frequentemente buscam imóveis como reserva de valor em momentos de excesso de liquidez. Isso aumenta a competição por ativos de qualidade e impulsiona os preços.


Por isso, quando você vê uma residência sair de R$ 3 milhões para R$ 4 milhões em poucos anos, vale a pena fazer uma pergunta diferente.


Será que a casa ficou tão melhor assim?


Ou será que existe simplesmente mais dinheiro disputando o mesmo patrimônio?


Essa pergunta ajuda a entender algo importante: o valor de um imóvel não é determinado apenas por suas características físicas. Ele também reflete a quantidade de capital disponível na economia em determinado momento.


Em outras palavras, muitas vezes a valorização de um imóvel conta uma história sobre a casa.

Mas quase sempre conta uma história ainda maior sobre o dinheiro.


Paulo Polli

Vinte anos acompanhando decisões patrimoniais.

CRECI PR 19555

CRECI SC 41607

PERITO AVALIADOR 45083

 
 
 

Comentários


bottom of page